Manifesto em gestação
OAB/DF Anuncia Movimento Contra a Intervenção Federal em Brasília
A Ordem do Advogados do Brasil no Distrito Federal (OAB-DF), o Sindicato dos Delegados de Polícia do DF (Sindepo) e o Fórum Sindical dos Trabalhadores - FST, aliados a outras organizações sociais e a deputados distritais, vão redigir um manifesto na próxima semana contra a intervenção federal na capital da República. A decisão foi tomada ontem em reunião na sede da OAB regional, na W3 Norte.
O consenso entre os presentes é que a intervenção seria uma atitude drástica e desnecessária para o DF. “Se não houver sinalização de que os partidos políticos vão apoiar o atual governador, se a Câmara Legislativa não atender aos anseios da população, então a intervenção acontecerá”, afirmou o presidente da OAB-DF, Francisco Caputo, que lançara no dia anterior movimento contrário à interferência externa nas instituições locais.
Caputo falou que passou o dia conversando sobre a intervenção com líderes políticos e representantes de entidades da sociedade civil para construir o pacto da governabilidade em Brasília. Durante a tarde, encontrou-se com o governador em exercício, Wilson Lima, e sinalizou o que a Ordem espera do seu mandato. “Esperamos um secretariado técnico e a demonstração de que o atual governador não vai se licenciar do cargo em abril para concorrer a uma vaga de deputado distrital ou mesmo governador.”
Comércio
A presidente da Associação Comercial do DF, Danielle Moreira, alertou para a queda no faturamento do comércio desde que os escândalos de corrupção no GDF iniciaram. Ela afirmou ainda que, com a intervenção, muitos serviços públicos parariam, comprometendo o emprego de cerca de 30 mil pessoas. O deputado Raimundo Ribeiro (PSDB) reforçou o discurso anti-intervenção:. “Pelos antecedentes daqueles que defendem a intervenção, cada vez mais me convenço que seria um golpe”.
Para o único senador presente à reunião de ontem, Aldemir Santana (DEM-DF), está próxima uma intervenção feita pela população do DF: “Com a nova eleição se aproximando, os eleitores do DF estão percebendo a importância de eleger bem os seus representantes e tirar todos aqueles envolvidos nos escândalos de corrupção.”
CUT lança nota
A Central Única dos Trabalhadores do Distrito Federal (CUT-DF) divulgou ontem nota oficial pelo fim da corrupção e contra a intervenção em Brasília. “Entendemos que há no Distrito Federal uma grave crise política que chegou a comprometer a ordem pública e a integridade local”, indicou a entidade. O texto lembra, porém, que o movimento social que pede a punição dos citados no escândalo da Caixa de Pandora já rendeu resultados positivos sem que fosse necessário extinguir a autonomia da capital. “Acreditamos que o caminho a ser seguido é dar celeridade ao processo de impeachment de Arruda e à apuração dos processos contra os parlamentares envolvidos nas denúncias de corrupção.”
Suspeita de irregularidades

Em vez de abrandar, a crise política, deflagrada com a Operação Caixa de Pandora, da Polícia Federal, engrossa com mais ingredientes. Ontem, uma reportagem do Jornal Nacional, da TV Globo, mostrou que as investigações realizadas pela Controladoria-Geral da União (CGU) identificaram indícios de irregularidades nas obras do Governo do Distrito Federal, realizadas com recursos da União. De acordo com a denúncia, o novo trecho do metrô, que contou com R$ 40 milhões do Ministério dos Transportes, teria custado 125% a mais do que o preço de mercado. A mesma situação teria ocorrido com as obras nas BR-020 (Brasília-Fortaleza), BR-060 (Brasília-Goiânia) e BR-450 (Via Epia), cujo custo ficou R$ 6,5 milhões acima do preço de mercado.
As investigações da CGU começaram três dias depois das primeiras revelações da Caixa de Pandora. Conforme noticiou o Correio, o ministro-chefe da CGU, Jorge Hage, pediu a revisão dos repasses federais para o GDF. A intenção foi apurar, por meio do cruzamento de informações, se os recursos federais teriam sido usados no suposto esquema de distribuição de propinas. (Fonte: Correio Braziliense)
REALIZADA PRIMEIRA REUNIÃO DO MOVIMENTO CONTRA A INTERVENÇÃO

O presidente da OAB/DF, Francisco Caputo, coordenou, na noite desta quinta-feira, 25, a primeira reunião com a sociedade civil, Fórum Sindical dos Trabalhadores - FST e partidos políticos que integram o movimento contra a intervenção federal no DF.
O encontro definiu os termos do manifesto que, redigido na reunião da próxima segunda-feira, estabelecerá os fundamentos da ação política contra a intervenção e por um pacto pela governabilidade. O manifesto será apresentado à sociedade brasiliense e municiará uma comissão de notáveis que visitará os presidentes do Supremo Tribunal Federal (STF), Senado Federal, Câmara Legislativa, além do governador interino.
Em meio às diversas manifestações de apoio à OAB, sobretudo entre a sociedade civil organizada, Caputo defendeu que evitem o mal maior “que é a intervenção”. Ele reforçou seu apelo ao ressaltar que “a OAB não está aqui defendendo nem mandato, nem pessoas e sim o ordenamento jurídico”.
Para o presidente da OAB/DF o principal objetivo da reunião foi alcançado, na medida em que promoveu o debate em torno da crise para o encontro de um caminho que restaure a normalidade institucional no Distrito Federal. (Fonte: Portal OAB-DF)
José Augusto da Silva Filho
Coordenador Nacional do FST
Diretor 1º Secretário da CNTC
Vice-presidente do DIAP
augusto@fstsindical.com.br
augustomehana@terra.com.br
(61) 3217-7100 ou 3217-7102
“A UNICIDADE SINDICAL É PRIMORDIAL PARA MANTER A FORÇA DE ENTIDADES REPRESENTATIVAS DE CLASSE” “HISTORICAMENTE, A CRIAÇÃO DE ENTIDADES PARALELAS SÓ SERVE PARA SATISFAZER DIVERGÊNCIAS POLÍTICAS E NUNCA PARA FORTALECER A UNICIDADE SINDICAL”